Cerca de 500 caminhoneiros protestam na BR 153, em Santo Antônio da Platina



Caminhoneiros de pelo menos 17 estados brasileiros iniciaram nesta segunda-feira (21), uma paralisação em protesto aos constantes aumentos do valor do óleo diesel, dos pedágios, falta de apoio de órgãos governamentais, não cumprimento de acordos firmados anteriormente, e muito mais, inclusive a isenção de tributos como forma de baratear os fretes. A pauta é extensa. A mobilização começou nesta segunda-feira, às 6 horas, com prazo indeterminado. Em Santo Antônio da Platina, cerca de 500 caminhoneiros estão estacionados nos acostamentos do km 43 da BR-153. Também há paralisações na região de Ibaiti e de Guapirama.

O movimento, que teve início com o descontentamento de caminhoneiros autônomos, já ganhou a adesão das empresas de transporte e até dos agricultores, que devem engrossar o protesto com seus maquinários agrícolas.

“O aumento constante do preço nas refinarias e dos impostos que recaem sobre o óleo diesel tornou a situação insustentável para o transportador autônomo. Além da correção quase diária dos preços dos combustíveis feita pela Petrobras, que dificulta a previsão de custos por parte do transportador, os tributos PIS/Cofins, majorados em meados de 2017, com o argumento de serem necessários para compensar as dificuldades fiscais do governo, são o grande empecilho para manter o valor do frete em níveis satisfatórios”, diz o comunicado da ABCam, que afirma, ainda, que os caminhoneiros vêm sofrendo com os aumentos sucessivos no diesel, o que tem gerado aumento de custos para a atividade de transporte. Segundo a associação, o diesel representa 42% dos custos do negócio. A organização alega que, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), 43% do preço do diesel na refinaria vêm do ICMS, do PIS, da Cofins e da Cide.

A associação também propõe medidas de subsídio à aquisição de óleo diesel, por meio de um sistema ou pela criação de um Fundo de Amparo ao Transportador Autônomo.

S.A.PLATINA E REGIÃO

Em Santo Antônio da Platina, a categoria iniciou o protesto por volta das 8 horas. Antes, eles se reuniram com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que passou algumas orientações que devem ser cumpridas para não gerar multas. Uma delas é não fazer bloqueio na rodovia, ou seja, estacionar os veículos nos acostamentos, deixando o trânsito parcialmente livre. Não devem ser abordados ônibus, ambulâncias e caminhões que transportam cargas vivas.

Segundo alguns motoristas que estavam no protesto na tarde desta segunda-feira, em Santo Antônio da Platina – Leandro Gaveluk, 34, de Ribeirão do Pinhal, Vandermar José Braga, 58, de São José do Rio Preto, e Antônio Marcelino Domingues, 35, de Santo Antônio da Platina, o movimento aconteceu agora como forma de alerta total as autoridades e também à população, do que está por vir num futuro bem próximo. “Estamos agora, nesse momento, respirando por aparelhos. Mas daqui a uns três meses, não haverá aparelho que nos salvem. Vamos parar por absoluta falta de condições para trabalhar”, disseram salientando que a população precisa se conscientizar, que quanto mais caro o transporte, mais caro a alimentação e serviços. “Daqui uns meses, um pacote de arroz vai custar R$ 50. Nós não conseguimos arcar com todas as despesas. Mesmo o governo sabendo de nosso ‘sufoco’, ele ainda autorizou novo aumento do diesel para esta terça-feira”, comentaram.

Mas o preço do diesel é apenas um dos problemas. “Um caminhão roda cerca de 1,5 a 2 quilômetros com um litro de diesel. Um tanque cabe 700 litros. É preciso muito dinheiro para sair na estrada”, disseram. O preço dos pedágios, que é cobrado por eixo do veículo, o preço para pernoitar em um posto de combustível, o preço para tomar banho nesses postos. Tudo é majorado para os caminhoneiros. “Tem posto que cobra R$ 20 para a gente estacionar e passar a noite e R$ 12 para um banho de 10 minutos. Ainda temos problemas com a carta-frete, que nem todos os postos aceitam, e os que aceitam ainda impõem algumas restrições, queremos reavaliar a questão da aposentadoria”, apontaram.

Os caminheiros garantem que o movimento não é ‘baderna’, e que não pretendem prejudicar ninguém. Eles pedem apoio da população. “Pedimos que a população das cidades onde paramos nos apoie, que venha se unir conosco. Se puder, que traga água e alimentos, porque não temos data para sair daqui”, concluíram.


Fotos: Antonio de Picolli

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